POR QUE O PCB NÃO VAI À SABATINA DA FIEG?

O Partido Comunista Brasileiro (PCB) foi convidado pela Federação das Indústrias do Estado de Goiás (FIEG) para participar de uma sabatina onde nos seriam realizadas perguntas por representantes do setor industrial de nosso estado, que pretendem com esse evento fazer com que os candidatos se comprometam com suas reivindicações. Recusamos o convite. Cabe ao Partido, portanto, esclarecer sua posição.

Não aceitamos ser sabatinados por industriais, pelos patrões, porque não iremos nos comprometer com nenhuma de suas reivindicações, com as demandas dos patrões, dos mais ricos, dos golpistas, exatamente eles, fração de classe que compõem e constituem-se como responsáveis pela condição de miséria e exploração em que vivem os trabalhadores de Goiânia. No atual período da luta de classes no país a FIEG defende posições antagônicas aos interesses dos trabalhadores, apoiando o Golpe de 2016 e seu programa político correlato, sustentando o ataque sistemático aos direitos sociais e trabalhistas. Seu atual presidente, Sandro Mabel, autor da lei da terceirização (lei 13.429/2017) um dos parlamentares mais ricos que já passou pela Câmara Federal, foi contra as medidas de distanciamento social durante a pandemia e chegou a afirmar que “as empresas eram o lugar mais seguro para para os trabalhadores durante a pandemia”, a despeito da massiva falta de medidas de segurança do trabalho nas empresas, como ocorreu no Frigorífico da BRF em Rio Verde que terminou por colocar toda a cidade em risco.

A FIEG, ao colocar-se no campo golpista e ao apoiar o governo proto-fascista de Bolsonaro, posiciona-se ao lado das forças junto com as quais não existe qualquer possibilidade de diálogo e interlocução, pois para o PCB o compromisso com a reversão do golpe de 2016 e das medidas antipopulares tomadas desde então e com a anulação das eleições de 2018, marcadas por fraudes e ilegalidades de toda ordem, é condição para qualquer tipo de diálogo.

Para o PCB, não existe qualquer tipo de mediação entre um programa político que vise a emancipação dos trabalhadores e trabalhadoras de todos processos de exploração, alienação política e opressão, e um programa como o da FIEG. Não existe qualquer possibilidade de mediação com empresas de ônibus agem de forma a explorar os trabalhadores que necessitam do transporte público para trabalhar. Não existe qualquer possibilidade de manutenção de convênios (dinheiro público!) para SESI e SENAI, que visam apenas um “adestramento” de trabalhadores, formados para serem super explorados como uma mão de obra barata e em condições precárias, para servir somente aos interesses dos lucros dos industriais e em nada aos interesses dos próprios trabalhadores. Não existe qualquer possibilidade de convite para que a FIEG integre qualquer espaço deliberativo ou mesmo consultivo dentro de um governo que tem como orientação o benefício da classe trabalhadora.

Ao realizar essa sabatina, a FIEG tenta esconder sob um véu de “apoio à democracia” e defesa da “pluralidade de opiniões”, todas as ações golpistas que a Federação pratica e que coadunam com o desenvolvimento de uma perspectiva fascistizante para a sociedade goiana e brasileira, colocando o lucro acima da vida. Nesse sentido, o PCB se recusa a participar da sabatina pois não aceita reconhecer a FIEG enquanto um ator político que deve ser ouvido, já que os interesses da FIEG estão diametralmente opostos aos interesses da classe trabalhadora.

Para o PCB a autonomia política dos trabalhadores em relação ao capital e ao Estado é um princípio fundamental de sua luta política e de sua perspectiva de construção do socialismo, o que  exclui qualquer possibilidade de conversação com uma entidade historicamente marcada pelo confronto com o mundo do trabalho. Não precisamos do apoio da FIEG e nem o queremos. O diálogo com a FIEG não nos interessa! O PCB estará sim presente em todos espaços, debates e sabatinas, onde possa dialogar com a classe trabalhadora, com os desempregados, com os precarizados, buscando sim se comprometer com esses setores e suas representações, apresentar propostas e propulsionar a luta contra a burguesia, o agronegócio, os patrões e seus representantes políticos.

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