PCB Goiás Realiza Plenária de Cultura Popular

O Partido Comunista Brasileiro (PCB) em Goiás realizou na tarde de domingo, 1º de novembro de 2020, por meio de plataforma online, a Plenária “Cultura Popular em Tempos de Bolsonarismo”. A atividade se propôs a discutir formas de fortalecer o vínculo entre os trabalhadores da cultura e os intelectuais, visando criar mecanismos de atuação na conjuntura atual.

O grupo de vocalização de poemas “Corpo de Voz”, que esteve representado pela presença de seu idealizador, Jamesson Buarque, Professor da UFG e poeta, iniciou e finalizou a atividade com uma apresentação. Contamos com a participação de Thaise Monteiro, Professora, poeta, atriz e fundadora da biblioteca itinerante “Bibliofuscoteca”; Nícolas dos Santos, educador popular, militante do movimento cultural da cena Hip-Hop da Região Metropolitana de Goiânia; Sarah Costa, estudante secundarista e poeta; Helissa Soares, Professora e responsável pelo canal de Youtube “Diosseia”; Nilton Araújo, ator e diretor de teatro; Francisco Lillo, Vice-presidente do Conselho Nacional de Cineclubes e Presidente da União de CineClube de Goiânia; Robson de Sousa, membro organizador do Bloco de Rua Carnavalesco “Comuna que Pariu” da cidade de Goiás; e Túlio Augusto Lobo, escritor de contos, além de muitos outros artistas, professores, estudantes, comunicólogos e atuantes nas ações culturais da cidade.

A plenária discutiu sobre os ataques que o cenário cultural vem sofrendo, mais acirradamente desde o golpe político-jurídico-midiático de 2016, e como o avanço da extrema direita implicou em um ataque ao cenário cultural e intelectual. Leis de incentivo à cultura estão sendo cerceadas, assim como manifestações culturais da classe trabalhadora nas periferias. Existe uma escassa participação dos trabalhadores nas tomadas de decisões da cidade o que resulta em uma concentração da cultura no centro da cidade e um descaso de propostas e ações para as periferias.

Ao extinguir o Ministério da Cultura (MinC), ao cortar as verbas do FUNARTE e da Biblioteca Nacional, ao criar manobras legislativas que reduzem os gastos com cultura, ao inviabilizar espaços de debates entre os trabalhadores da cultura e a intelectualidade, nos deparamos com algumas das ações de desmonte que caracterizam a destruição que vem sendo consolidada pelo atual governo face à cultura popular.

Apontou-se como as leis de incentivo à cultura, muitas vezes, baseiam-se em perspectivas privatistas, enquanto as ações culturais orientadas pela ação estatal dificilmente encontram meios de se concretizarem, uma vez que estão sob constantes ataques.

Sob o bolsonarismo, a cultura é o resultado, por um lado, do neoliberalismo extremado, da ampla privatização das atividades culturais e de lazer, da ampliação de uma hegemonia cultural imperialista. Enquanto, por outro lado, acompanhamos a intensa fascistização da sociedade, resultado das fraturas abertas pelo golpe político-jurídico-midiático de 2016 e pela implementação de seu programa regressivo que tem como objetivo a amplificação da exploração, e a consequente necessidade de alienação política e opressão cultural-ideológica.

Nesse contexto, a arte popular é resistência, devendo ser compreendida de forma ampla e não simplesmente como “arte que vem de determinadas camadas”, mas sim como uma expressão de emancipação, reorientando poetas e poetisas em direção a uma produção artística mais militante, ou seja, a poesia também como possibilidade de posicionar-se criticamente.

As manifestações artísticas devem chegar aos espaços onde normalmente ela está alijada, sair dos locais tradicionais das expressões artísticas e indo onde ela não tem inserção, não apenas com intuito de realizar atividades, mas, sobretudo, ensinar a fazer arte!

Temos presenciado um crescimento no movimento cultural na Região Metropolitana de Goiânia, com atividades de resistência, como a cena do Hip-Hop, as batalhas de Poesia Slam, entregas de Zines nos encontros da juventude, Teatros de rua, o projeto da Bibliofuscoteca – que consiste em levar livros através de um fusca para crianças –, os CineClubes – construídos coletivamente. Contudo, as manifestações culturais da classe trabalhadora, da juventude e do movimento negro têm sofrido diversos tipos de censura “velada”, como, por exemplo, constante assédio da força policial.

Já no interior do estado, na Cidade de Goiás, o PCB organiza um Bloco de carnaval – Comuna que Pariu – que, inicialmente, surgiu como um grupo de percussão e voz, e hoje já se encontra para além das atividades carnavalescas, uma vez que integrou-se a uma escola de samba e virou uma Ala, mantendo uma identidade musical com a região.

Por outro lado, ressaltou-se como a mídia burguesa busca introduzir na classe trabalhadora concepções que vêm das camadas dominantes, as produções culturais contra-hegemônicas não tem espaço dentro dessa lógica. Muitas vezes, o acesso a eventos e produtos culturais não ocorre por falta de interesse da população, mas em consequência de barreiras sociais e econômicas determinadas.

A exemplo disso, no âmbito audiovisual, nos deparamos com a monopolização de filmes em shoppings e a falta de salas de cinemas populares. Ou então, no tocante à produção literária, encontramos livros com valores muito altos, enquanto são repassados aos escritores taxas baixíssimas. Nesse processo, sublinhamos a importância das editoras independentes e a posição de resistência que se encontram no mercado.

A conjuntura nos impõe a necessidade de uma atuação a longo prazo, constituindo instâncias organizativas que sirvam de ferramenta de luta e resistência contra o avanço do obscurantismo, e estabeleçam um diálogo com movimentos populares calcado na produção cultural contra-hegemônica.

Assim, o Partido Comunista Brasileiro, ao entender a importância de participar desse processo e contribuir na sua construção, encaminha a necessidade de se criar um grupo para elaborar uma minuta que sintetize e proponha um novo fórum de debate, no qual seja possível publicizar as demandas feitas na plenária e nas áreas de atuação dos participantes.

Para mais informações acerca das nossas atividades e do encaminhamento que foi apontado na plenária, entre em contato com o Partido Comunista Brasileiro em Goiás.

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