FEMINISMO CLASSISTA

O que é o feminismo classista?

O feminismo classista é uma vertente do movimento feminista alinhada ao marxismo. Não se limitando à igualdade entre os sexos, o feminismo classista luta pela libertação das mulheres mediante o fim da propriedade privada e da divisão sexual do trabalho. Não acredita ser possível emancipar verdadeiramente as mulheres sem derrubar o sistema capitalista que também é patriarcal em sua estrutura. O feminismo classista diferencia as condições de vida das mulheres trabalhadoras e burguesas e não exclui a participação e educação dos homens trabalhadores neste movimento.

As lutas das mulheres trabalhadoras pela emancipação humana

O que nos une é a luta de todo dia: o feminismo classista é a vinculação entre teoria materialista histórica dialética e a prática do trabalho de base em nossos espaços de atuação, ações que são alicerçadas em uma consciência coletiva de enfrentamento, desalienação e superação da propriedade privada e da relação social de exploração entre pessoas em uma divisão social e sexual de classes.

Na sociedade em que tudo é mercadoria, a barbárie avança sob diversas roupagens durante a história: a riqueza produzida por nós, trabalhadoras, é destinada ao rei-mercado e seus desdobramentos são: superexploração das trabalhadoras, perpetuação da violência de classe, criminalização das lutadoras sociais, instrumentalização do estado e do direito para punir e manter a estrutura exploratória e opressiva.

A subordinação da mulher enquanto propriedade privada do homem tolhe sua autonomia e naturaliza a exploração capitalista aprofundada pelo patriarcado.

A divisão sexual e social do trabalho rotula profissões como “exclusivamente femininas” por suas vinculações com o cuidado, por exemplo, atribuindo como natural uma construção social.

O papel social imposto à mulher na relação social capitalista traz uma série de elementos que reforçam a naturalização da concepção de universalidade e generalização dos instrumentos de controle dos corpos femininos e da divisão entre espaço público e privado, entre trabalho remunerado e não-remunerado como forma de vinculá-lo às supostas dimensões de papéis pré definidos às mulheres de acordo com suas “características naturais”.

Superar a naturalização do patriarcado e suas manifestações deve sempre estar atrelada a uma análise material, concreta da nossa realidade: a redução das pautas das mulheres a lutas homogenizadas, sem dimensionar a luta de classes e seus desdobramentos significa a cooptação das lutas e sua assimilação na estrutura exploratória, por isso, o feminismo liberal e todos seus desdobramentos são insuficientes e, mais do que isso, acabam por reforçar a exploração.

O feminismo classista é fruto das lutas das mulheres trabalhadoras, lutadoras sociais que vieram antes de nós e denunciaram de maneira incisiva que nossa história é a história do enfrentamento ao patriarcado e ao capitalismo, pois sem a destruição do capitalismo não há a destruição das manifestações do patriarcado, sem feminismo classista não há revolução.

“Mulher libertada – Vamos construir o socialismo!” (1926)

A transformação social necessária para avançarmos na construção de nosso projeto anticapitalista perpassa a luta pela superação do patriarcado e suas determinantes nas relações sociais reforçadoras da exploração e opressões: por isso, na luta constante pela superação da exploração e das opressões, entendemos que o poder popular e suas táticas e estratégias segue sendo o projeto de emancipação humana.

A nossa realidade atual de desumanização e barbárie explicita a crise do capitalismo: crise econômica, política, sanitária. A pandemia agudiza e acirra a luta de classes: de um lado o projeto genocida do capital no qual vidas humanas são descartadas e tripudia-se sobre a dor daquelas/es que choram seus mortos, de outro, a necessidade da radicalização e massificação das lutas pela nossa sobrevivência: vacinação para todas e todos, lutar pelo congelamento dos itens da cesta básica, contra o projeto fascista que corta no lombo da trabalhadora para garantir os lucros dos setores da burguesia nacional e internacional.

Crueldade das crueldades, os genocidas colocam que a continuidade do auxílio emergencial está condicionado a retirada de recursos para saúde e educação públicas! 250,00 com o gás de cozinha a 100,00! Desemprego em 22% e média de mortes diárias por Covid-19 de mais de 2000 pessoas.

As mulheres são mais de 70% das trabalhadoras da saúde, da linha de frente. São elas também as mais precarizadas nos trabalhos terceirizados, chefes de família e as mais impactadas com o cenário de desemprego.

MULHER, ORGANIZE A SUA LUTA!

Conheça o Coletivo Feminista Classista Ana Montenegro

INDICAÇÕES DE CONTEÚDO:

“Mulheres, Raça e Classe” – Angela Davis
“Ser ou Não Ser Feminista” – Ana Montenegro
“A Mulher Na Sociedade de Classes: Mito e Realidade” – Heleieth Saffioti
“O Gênero nos Une, a Classe nos Divide” – Cecília Toledo
Biblioteca do Coletivo Feminista Classista Ana Montenegro

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