Goiás não tem Condições Adequadas para Retorno às Aulas Presenciais

Na sexta-feira, dia 30 de julho, 12 hospitais estaduais atingiram 100% de sua capacidade de lotação e outros cinco estão perto do limite, com mais de 90% de ocupação, fato que torna Goiás o Estado com maior taxa de ocupação de Unidades de Terapia Intensiva (UTIs Covid) do Brasil, segundo dados do Boletim Integrado COVID-19 do Estado de Goiás. Em todo o estado de Goiás, existem 609 leitos de UTIs destinados para o tratamento da Covid-19, 501 já estão ocupados, 16 estão bloqueados e há somente 92 disponíveis. Em Goiânia, dos 326 UTIs Covid, 251 estão ocupados, 23 estão bloqueados e somente 52 estão disponíveis, registrando 82,84% de taxa de ocupação.

Mesmo diante de tal situação alarmante, a Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES) divulgou uma nova nota técnica, nº 8/2021, que recomenda a ampliação de 30% para 50% do número de alunos em regime presencial nas instituições de ensino no Estado. Conforme o documento, do dia 14 de julho, a decisão abrange todos os níveis educacionais. Demonstrando total descaso diante o enfrentamento contra a Covid-19, a rede estadual de ensino de Goiás e a rede de ensino municipal de Goiânia estão convocando todos os profissionais da educação para retomarem as aulas presenciais a partir da próxima segunda-feira, dia 2 de agosto, em regime híbrido, combinando atividades presenciais e remotas, e com a adoção de rodízio de turma de alunos com vistas a que todos sejam atendidos nas aulas presenciais.

É necessário enfatizar que os profissionais da educação só começaram a ser vacinados no estado de Goiás nos últimos dias do mês de maio, sendo que a maioria ainda não recebeu a segunda dose da vacina de imunização contra a Covid-19, pois nem mesmo o adiantamento da segunda dose para os profissionais da educação para um possível retorno em segurança desses trabalhadores foi considerado pelo governador Ronaldo Caiado e pelo prefeito de Goiânia, Rogério Cruz. Inclusive, todos os auxiliares de atividades educativas e auxiliares administrativos foram obrigados a retornarem ao trabalho presencial em regime de escalonamento muito antes de tomarem a primeira dose da vacina.

Cartum feito por Nando Motta (@desenhosdonando)

Também é necessário lembrar que a nova variante delta, detectada primeiro na Índia e já presente em pelo menos 92 países, se destaca de suas predecessoras genéticas por uma capacidade maior de contágio. De acordo com o diretor-executivo da Organização Mundial da Saúde, a nova variante delta é a “mais rápida e que afeta os mais vulneráveis ao contágio de modo mais eficiente que suas predecessoras”. Para agravar esse contexto caótico de retorno as aulas, de acordo com uma reportagem publicada pelo jornal O Centroeste, alguns diretores estão preocupados com o retorno as aulas pois alegam não ter dinheiro em caixa suficiente para arcar com material de EPIs (Equipamento de Segurança Individual), apesar do depoimento do Secretário de educação do município, o Prof º Wellington Bessa Oliveira, dizer o contrário.

Segundo balanço realizado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o número de contratos de trabalho no setor de educação encerrados por motivo de morte cresceu 128% de janeiro a abril deste ano, se comparado ao mesmo período do ano passado. Ao todo, foram 1.479 contratos encerrados pela morte do trabalhador, incluindo professores, faxineiros, porteiros, entre outros vinculados a instituições de ensino. No mesmo período do ano passado, eram 650. O balanço não aponta as causas da morte, mas indica uma possível relação com os casos de corona vírus. Recentemente, em Goiânia, dois renomados professores morreram devido a complicações da Covid-19. André Luiz Pedra, 45 anos, era professor de matemática e seu irmão, Alan Kardec Pedra, 48 anos, era professor de física.

Diante de tais fatos, o Sindicato Municipal dos Servidores da Educação de Goiânia (Simsed) está convocando todos os profissionais da Educação para um ato de mobilização em frente ao Paço Municipal na quarta-feira, dia 04 de Agosto de 2021, às 09 horas da manhã, com objetivo de pressionar Rogério Cruz a imunizar todos os profissionais da educação antes do retorno presencial dos alunos, bem como cumprir o pagamento da data-base aos servidores. O Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Goiás (Sintego) também se posicionou contra o retorno das atividades presenciais, cobrando em audiência realizada com a secretária estadual de Educação, Fátima Gavioli, na sexta-feira, dia 30 de julho, a antecipação da segunda dose da vacina e o adiamento de retorno presencial previsto para a próxima segunda-feira.

O Comitê da Unidade Classista da Educação Básica de Goiás, assim como o Simsed e o Sintego, defende o adiamento do retorno das aulas presenciais, até que todos os profissionais da educação estejam totalmente imunizados contra a Covid-19. Também reforçamos o convite para o ato de mobilização que ocorrerá em frente ao Paço Municipal na quarta-feira, dia 04 de Agosto de 2021, às 09 horas da manhã. Apoiamos um retorno às aulas presenciais com segurança, em um momento mais propício e menos caótico!

Vacina para todos já!

UNIDADE CLASSISTA/GO

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